Rolhas de plástico no Vinho do PORTO?!?

OS PRODUTORES e industriais da cortiça, certamente acompanhados por muitos consumidores, descobriram e escandalizaram-se: há vinho do Porto à venda com rolhas de plástico."Fiquei genuinamente chocado", confessou, ao Jornal de Negócios, Sevinate Pinto, ex-ministro da Agricultura e actual presidente da Filcork, o novo órgão de cúpula representativo da fileira da cortiça.Em causa está um vinho do Porto da marca "Casa da Lousa", que pertence à Castelinho Vinhos, uma das empresas mais conhecidas do Douro e que foi recentemente adquirida pela Companhia Comercial de Vinhos do Porto (CCVP)."Começamos a utilizar vedantes sintéticos a pedido expresso de clientes do Reino Unido e da Alemanha, tendo havido alguns lotes desses vinhos que apareceram à venda no mercado nacional", confirmou João Prates, director de marketing da Castelinho.De qualquer forma, garantiu, "a nova administração da empresa decidiu já que, à excepção das encomendas para clientes específicos internacionais, passará a utilizar unicamente rolhas de cortiça nos seus vinhos".A preferência demonstrada por "quase todos" os seus clientes ingleses e de "alguns" alemães, que "nem sequer fazem parte" dos principais mercados da Castelinho, tem como objectivo eliminar de vez a possibilidade de existência do vulgarizado "gosto a rolha".O "Vinha do Tanque", um vinho tinto reserva do Douro, é outra das marcas da empresa que tem sido "excepcionalmente" vedado com rolhas de plástico. De resto, João Prates garantiu, sem pormenorizar, que a Castelinho "não é a primeira empresa a utilizar vedantes sintéticos no vinho do Porto"."O que existe é como que um engano do consumidor, na medida em que só se apercebe que determinada rolha é de plástico quando se abre a garrafa, sendo que todos os estudos internacionais demonstram que os consumidores finais de vinho preferem muito claramente os vedantes de cortiça", retorquiu o presidente da Filcork.Por outro lado, a utilização por empresa nacionais de vedantes sintéticos em vinhos de qualidade é vista por Sevinate Pinto como "uma afronta à posição estratégica do sector da cortiça em termos de importância económica, social e ambiental".Por isso é que a Filcork decidiu recorrer a Bruxelas, para que esta "tome as dores que a fileira está a ter". No caso concreto da informação sobre os vedantes, aquele organismo pretende que a União Europeia introduza no enquadramento jurídico europeu a obrigatoriedade de as garrafas de vinho produzido nos Estados-membros integrar, no respectivo rótulo, a identificação do tipo de vedante utilizado."Trata-se de uma tentativa de, pelo menos, obrigar os engarrafadores que queiram, a nível europeu, utilizar vedantes alternativos, a ter que exibir essa informação precisamente no rótulo", explicou Sevinate Pinto.Recorde-se que Portugal é líder mundial na produção (185 mil toneladas, correspondente a 54% do total) e em termos de área de floresta de cortiça, com um total de 730 mil hectares, ou seja, um terço da área mundial de montado.Em termos de exportação, o sector chegou a gerar 917 milhões de euros nos mercados internacionais, tendo atingido em 2004 o valor mais baixo dos últimos cinco anos. Mesmo assim, facturou no mercado exterior 873,6 milhões de euros.
Fonte: ICEP

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